Curto o (in)dispensável

Dissolvência,
a minha assustada surpresa vem daí!
e a sonolência que se vá, pois pressenti
que é esse copo à frente
apenas outra garrafa a esvaziar

e sem que o amargo a procure
a dor
do coração, do já se seguiu,
ouve-se, nessa noite
o acorde sujo
que chora o duro, assim,
o medo enjoa, a morte não

do que não dura em si
a doçura é o que há,
que agora é posta
à fora, sem razão

se um preferir
outro a chorar,
enquanto um corpo
em urgência cobre-se
em algum lugar

se se dirige o sono ao outro
à cama,
o estorvo, opaco, caído às mãos
ficou desacreditado, fio posto
ao longe devagar,
o copo cobra - à prova de apagar -
a dor de um entreolhar



Moonlight para Orfeu

                 
Furta-me 
o que trouxe 
o degradê tatuado 
em meu peito

As forças desse vento que
Leva-me o sono.
Estiveram tão longe assim
os meus pensamentos?

Que agora trazido o frio
para tão próximo
tão bem reconheça-o, com a clareza
e a ironia de um "está ainda por aqui?"


por cima do peito
marquei-me com o tom das cinzas  
Rouba-me, as cores ainda teimam... 
ainda que restem só as nuvens sobre esse coração,


não é verdade que o céu permanente,
ao bem e ao mal, reinventa-se?
e o sol e a lua
desde de sempre,
reinam?

por sobre as miudezas acolhidas
no espectro entre os bolsos e os olhos humanos
Sopra-me o intervalo impossível
como a surpresa das palavras mal escolhidas

por trás de uma breve mentira
Deixa-me, para que entenda
como o ruido da cobiça
tomou conta dos espaços antes livres 

Ao duvidar em campo aberto
de cada pestanejar, ainda vivo,
demite de tuas pupilas,
a ilusão de ótica mantida
entre a chuva e as lágrimas

Rompido o selo de dez dedos por sobre essas mãos
Deixa a névoa tomar seu lugar,  "chegou tão cedo, não?"
esses passos que alucino, correm de mim ou ao meu encontro?
Porque se tornou tão difícil acolher a diferença numa manhã

Talvez porque a noite tomou todo o meu tempo
e o fio de sol, que eu suspeito riscar o vazio,
a lua a ele não empresta a visita de outra paisagem
Então, se não beijarei a lua, caçarei as estrelas

Desfazendo-me da tatuagem, já sem medo
como quem se desfaz da rima dos antigos
e breves sonetos, ao som da lira de orfeu,
perseguindo o inferno desse inverno.










Ateu (para A.C.Cesar)

Sabe...
por um instante

Saber...
fazer do restante
o sem segredo

a façanha
almeja,
se verdadeira,
chumbo em ouro

Era, contudo,
a prata da casa
que importara,
e de qual se dispôs

para o silêncio, [áureo
a palavra de prata
feria
mais rápido
que um sopro

suas mãos pesavam
como ferro,
trilhos à descarrilhar
o berro
o sono,
sem socorro
diante de qualquer [recuo

fórmula irreversível
para um corpo
em poucos instantes:
conversível

a prata veículo
para o chumbo
e a grande obra
a realização em sua circunferência [óssea

sairia por sua boca
e cortaria o teto
céu que escondia
a anã vermelha

ali o céu alcançado
o céu que ruíra
concreto e tão certo
para
Celso

Ontem

Ontem

tive On
das correntes
elétricas
de meu 
ser ébrio

passava você
sobre 
o meu 
peito nu


Amanhã
Ainda
Ama...

"ãh"?
esse acento que
não se acerta
não sossega e
não se assenta,
"Há?"

há noites... 
passam outras
para essa insistente 
e vazia manhã,
para jamais

essa vazia garrafa
que se chama


Só este hoje
dividido
amando

Oh ! je
t'aime

Sopro de Leões (para Ingrid)

Haverá cílios
voando pelo amanhã
mesmo para quem
não o alcança

desmanchados
dentes
que fizeram o sorriso
largo do agora

pela paisagem
loucos
rugidos
esbaforidos

aos tropeços
dos que se deitam,
na branca areia aos ruidos
ou nela caíram, incertos
dos motivos para a sua aterrizagem...

encontrar
ao vento
solto
a alma
em brisa

fazer de capa
a camisa
e da correria
um ponto
de rodopio para que
saia?

guardar em
memória
espalhando-se
e perdendo-se

da chegada

das ondas
na praia

ondas
de sonho
ondas
de sono
ondas
de gargalhadas

do que se ria?
em meio aos leões?...
no descuido das pegadas?

o acontecimento, deságua-se

jamais deixa de ser
a nossa mais
tênue e desejada
ameaça

A queda


Assim ela o fez...

lançou-se 
para trás
em estranho rodopio
o giro louco dos dias

ao ar

Sendo nelas ele o agora
das mãos 
que viviam
longe 

daquelas outras mãos 

as que a arrancaram
por um propósito
qualquer
para mãos que já viriam

e foram ambas postas à prova

junto com som  
que irrompeu o céu
junto ao corpo,
outro corpo entregou-se,
para romper sonho
 desafiar a queda
da verdade







Vesúvio (Êxtase)

Chora, mais uma vez.
Mais uma vez
Os metais do tempo
se lançarão ao fogo da vida...
E em meio aos gases;
E em meio ao calor líquido;
E da fumaça e das chamas ardentes,
no retorcer daquela fusão,
caberá a nós
pesar e valorar
as feridas...
produzir
a alma e o corpo
do que, dali,
ainda
em êxtase
poderá
reerguer-se.

Meteoritos

Por querer parar
o tempo, no tempo, por um tempo
por força maior
caíra estatelada
ao chão

Sem querer o peso
das rugas
que dão forma
ao monstro

deitada a pessoa
outra
deitada pessoa
ao lado
de olhos no firmamento:
mostra

Sem por nem tirar
uma pueril estrela

nasce por dentro
o som
de um trovão

outra luz
no fim do alento
recosta à grama
ao solo

onde vêem-se
do ponto de fuga
dois olhos mudos
dois olhos mudos
do ponto de fuga

luzindo o ponto cego
com estalidos de dedos
monstros vencidos

dois sonhos retorcidos de estrelas
ao chão

Malcriado

Andar e no espaço
da caminhada,
daquela escolhida por seu tempo,
pairar sobre o nada

avistar o sofrimento
essa alegria mal comportada

Andar no espaço
ao caminho
que segue da vida ao
silêncio, essa passada

averiguar o sentimento
essa paisagem não decorada

Andar, espaço, andar
espaço, andar, espaço
perseguido pelo nada
que às costas se segue

abarcar em tempo
as memórias fugidias
uma, duas, três passadas

Andar por nada disso
para! mensagem do ontem
que ruma sem futuro...
o recado, mente

abandonar-se ao tempo
regente, sem trono,
sem muros, sem povo,
seu coroamento? o imensurável

Andar sem chegada,
passar a estalagem,
deixar a morada,
o passar do passar,
a passar e passar

o corpo a cansar
a pedir, a gritar,
a implorar, à saber:
vagar pelo tempo
necessário

depois de mais nada




Jazz

foi mal,
essa
composição

o mal

vergar o mal em bem
mas qual?

qual
o preço de
não 

ter
o não

não o "qual?",
o não

ontem 
ser 

não saber 
bem

era
a questão

vale apenas "ser"?
e não "?"

à pena 
a banal decomposição?

Mas houve corpo,
houve alma?

ou...
nada

ouve o vazio, espírito, 
houve uma "!"


e a notificação:
não há vagas


Passe livre

o dia adia-se, duvidoso das cores da noite
que a noite a dor meça amanhã,
pois tarde irá tardar o meio-dia, que aquece.
Enquanto há tempo que passe
as estações dançam... pra que tu
também esqueças de ti.


Rir te lê

Ir
na marcha
oposta
ao seu duro dente
que rangia
que sorria
que mordia

na sua linguagem
cerrada
e
destrutiva

Enegrecida
ferida
que fomos

mas já não somos, nada somos...

somos sim, hoje,
o sopro de vida
no buraco
dessa tua cárie

ferida humana
sequela, inadvertida,
ainda
algumas
seguidas vezes
desejada
descuidada

Que não passará
em branco,
nem
se escondido
no arquivo
amarelado,
a vida tudo atravessa
ávida tudo ultrapassa

a dentadura

da história,
de quem
a perdeu

pode contar agora:
"Rir te lê".

Se vira?

Virar a quina do muro
Virar a esquina sem murro
Virar a dobra da noite pro dia
Virar a tristeza virar alegria
Virar o saber em não saber
Virar... se virar, virar do avesso

Pra não vir no escuro
Pra não vir no assalto
Pra não vir rendido
Pra não vir falido
Pra não vir sangrado
Pra não querer saber, se algo vai

Pois ali já está...
na dobra da nossa nudez
há mais alguns passos,
vir e ver
uns com os outros

e não dar com a cara no murro
e não ficar com o corpo pro muro
e não deixar que te digam
por mais que digam

de onde é que vem
como é que veem
é o passo que faz encontrar:

Vir ar!

percorrer a dobra do mundo
faz isso, o nosso
sentir-se aí, ser com o que pensar

Lance

Numa esquina de Copacabana
eu vejo o tempo que passa
acendo o cigarro que arde
à noite, enquanto o faço
um puro lançar de dados

enquanto te aguardo...
o quanto te aguardo...
te aguardo...
passar.

Passa por mim, aquele tempo, o arrepio
da brisa do mar de Copacabana

que isso não passa.
Lanço no ar a fumaça,
que se desfaz como o real
que não se dará.

A minha queda, não foi calculada
nem meu laço fora viciado,
é só a esquina, a brisa, e o aguardo.
A noite que envolve, sem recusas
a cair desse lance, amargo.

Será que censuro a tua colisão?
Será que eu comungo com o nada
essa passagem pelo bairro?
Será que o fogo acendido
pelo isqueiro, agora, abandonado
irá durar mais um... trago?

o que o cansaço nos trouxe,
como ele me trouxe até esse agora,
que passa?

Não deixei que outro se acendesse
respondendo ao apelo do encontro
Não cruzei-me com nada além
do passar daquela vadiagem

Minha estalagem
era o percurso
da rua nua,
do silêncio
sem procura,
da certeza de que
entre o cair e o lançar dos dados
sequer hesitei na sabedoria ali cavada,
na areia do tempo a nos dizer:
aqueles dedos, jamais se encontraram.

Only

Quand'eu casar
a catedral
será o céu
e embaixo dos pés
de quem se ama
não haverá outro
tapete
Além da grama...

Será assim,
entre o não o sim,
em suspenso,
caçaremos o:
talvez...
de cada sempre.

Quand'eu casar
a única promessa
será: sem ter pressa
de partir.

E dessa vez, por um triz
o eu e o tu
se adorarão: rumando.

E quando chegar o dia
em que até mesmo isso
a gente não cumprir,
nem vai ser problema...

vamos colocar no anel
"my love"
e quem chegar, atrasado,
saberá, que o  "talvez"
nem sempre dure, mas se procure...

E que entre o céu e a grama
tiramos um do outro o
que cada um soube
oferecer:
algum amor.



Sonhos e Beijos, Azuis (para Nat)

Lábios azuis em noites breves

ouço o sopro do não da ferida
caço o silêncio que não durará
o lábio azul que já disse
para o olhos vítreos
para o azulejo tão pobre
reflexivo... não alcança nem a dor, nem a cor azul, da morte
água gélida ao som dos pingos
bebo sem saber mais um gole
a fumaça envolvente escolhe um modo
de não esconder essa fuga
a pele, mergulhada no ciclo para o primeiro sonho
sem margens, sem colagens, sem medo e se ainda é cedo para tanto
o que permanece, valerá o espanto
... sorrindo ...

esse fim de papo

Quer ser achado
adoidado!
aos mil e um sabores da inutilidade
inegável, aquele amasso do acaso
que se cola aos seus pés,

mascado, cuspido e escarrado.
me pisa qu' eu sei...

você, já larguei...

compartilhou depois leu
curtiu antes de saber
o que foi

na velocidade da luz que
ilumina a imagem
de um post

e meio que
pediu o isqueiro e
sem cigarros, lembrou

já larguei...

                  Celso Dias Furtado

A última chance

Aqui
até mim
chega uma mensagem,

em envelope
pardo-amarelado

fico quase da cor do susto
ou da re-
vira
volta,
na
sentença

pro-
ferida

pela
ex-

só abra

em presença
do remetente,
gentilmente,
por uma
ultima vez

dessa pessoa
que resvala o absurdo,
logo
um tempo depois,
depois de não abrir
aquela carta

recebo-
a
abriu-
se uma porta
pela audácia da ainda não
rasgada

a que espera
de mim
sem susto,
qualquer absurda palavra

presencio a hesitação,
em meu gueto
quase digo, também: mas...

nem digo, em compaixão
de mim: - oi
mais nada...

Então, com ela ao lado,
certo do em vão
abro o envelope,
escrito à mão

dentro:
uma passagem,
com data
local e hora
do avião

e o recado
entregue,
em mão própria,

do céu ao purgatório
me desaba...

será ainda assim?
a gente
não retorna
ao início dessa
confusão?

será possível
assim, que se
entornaria
com algum amor
o que não se
transbordou
com uma paixão?

penso: que fazer da última chance?
sinto: o quê você faria...
sim ou não?
foi nossa última lição

STOP! o ensaio

ser o morador de rua é para alguns,
uma tosse.
não será apenas de passagem,
parado aos meus pés calçados,
não será.

Não será
também para alguém
como as guimbas dos cigarros?
não é, para muitos... alguém
pessoa,
rara-

mente
veríamos,
mas se
não as pegam
com as próprias mãos
desejaria-se,
que estivessem
sobre outros olhos,
sobre outra repartição,
sem morador de rua
não há rima
possível
não se tornou bicho
o próprio bicho de rua
ainda que há quem jogue nele,
então jogue esse fácil capricho
no lixo, e salve o bicho!

ou antes se fizessem
do bicho homem um ser reciclável
muito trabalho para
os que a possuam,
as mãos e as guimbas
em mãos,
nesse Estado,
não necessariamente em sua ordem,
e nem iremos pensar que o estado ocioso não dê algum trabalho!

Respira-se fundo e vai-se aos pulmões
a sentença:

estas ruas estão carentes...
de "limpeza"

que
diga-se, de passagem

não é
para muitos,

a governabilidade

mas alguns ao dar esmolas tem mente limpa, e muita platéia e muitos votos...
de que: vá à merda! Saiam da estrada, que esta por mim será pavimentada!

Já, quanto a mim, que não costumo
pisar nesses seres, tão reis dos pedaços,
dos pedaços de cidade e de humanos,

ofereço bebidas por sinal logo de cara, e bem fortes!
desgovernados, façamos logo um coquetel à beira da estrada.

O sujeito me chega pedindo, pão? almoço? ir e vir?
meu irmão, você precisa é de cachaça!
A limpeza deveria ser tão ética, e etílica, que ninguém
deveria mais lustrar sapatos,
poderíamos andar descalços pelas ruas.
Num diálogo imaginário:

- À vontade, meu senhor?!
- Pois sim, te agradeço... os pés aos seus pés
- Como está o dia?
- continua lindo, com certeza. E o sr e sua sra?
- A patroa tá cuidando dos pivetes, estão por aí!
- Ei, é seu filho esse aí? isso tá com cara de craque!...
- me tira dessa! aqui nesta cidade tudo é compulsório -
ô, país do futebol, goleia! - chega de entrave!

Estão na cidade:
o pulmão de rua
o morador de rua
o craque de rua
e têm sido extintos pela competição desleal dos que aspiram
gasolina, diesel, álcool!?

tudo bem! muito bem.
os moradores também consomem, álcool, por exemplo.
Porém, eles simplesmente caem, depois.
Dá até para, desafogar as mágoas...


Vejam só, os motores por todos lados expiram nas ruas, estacionam nas calçadas.


não será
para alguém,
o consumo
de derivados
(lícitos ilícitos)
 e tusso e tusso e tusso
o que torna a vida da cidade um bicho
metálico que devora, e expele lixo
e mata animais?

morrem cães, homens, entre outros animais
perdoem perdoem e culpem os motores, pois
competem com os pulmões
competem com os moradores
competem competem competem
as ruas, as ruas se comprimem
ninguém mais se cumprimenta


Não seja injusto, essa cidade é tão educada!...
todos pagam impostos, propinas e multas.
É a civilidade mútua fazendo seu regime.


e... o que se opõe ao regime, nos faz ganhar
mais um morador de rua!

todos engarrafados,

...mas é um termômetro!
Ora, de quê?...

das condições de trabalho.
Trabalho sobre certas condições
de temperatura e pressão
desenvolve o progresso,
motor do sucesso e da sucessão,
de mais ócio, que ninguém abra mão.

são multidões das ruas,
os congestionamentos são grandes gulags,
é o lazer, mútuo prazer, estou de carro.

ou seriam em verdade
congesti-ornamentos?
línguas e mais línguas,
o som dos batidões,
costas quentes
línguas pavimentadas,
muito bem aquecidas.
Calor humano!

A cidade fica mais produtiva,
mais bela e poliglota,
e se entendendo,
com muitos
automóveis.

Mais profética,
vejam só

enquanto um diz:
 que calor!?

o outro:
STOP!



Araújo Roddriguez


top Hit


feliz
feliz
a
esmo
feliz
comédia
antes
fora!
feliz
tragédia
feliz em
feliz
ciano

sair
desse
pacto
ciano
celeste
ciano
profano

incompreensível
plano

contra
o feliz
ciano
só mesmo

algum
direito
humano
ruminando

usar
em favor
desse feliz
ciano
desbotado
desbocado
descuidado

alguma
chance
de papo
reto
denunciando

ciano
bento
ciano
lento
ciano
insista
em ser
exemplar

até
da
felicidade

devemos
abandonar
o plano

veto
ou
não veto?
seu jeito de
ser
se perpetuando?


ofereça-se
como troco
por esse troço
rudimentar
de representar
sem arte o

desconcerto
marco!

vem a
nuvem cinza
mas o sol
já seguirá
se espraiando
o ciano
será
riscado
pelas demais
cores
de um arco-íris
te propiciando...
amar
outro
e o
mesmo
sexo
a esmo por há nexo,
estamos trocando...

não
resista
a tentação
de tomar

cia
nu
reto

eu te defendo, nêgo!
deste mais outro engano...


Araújo Roddriguez


Rebuliço dos Ventos
(...to be continuous)

Passar............o....................................................................................................................................Vento
Passar...................o........................................................................................................................^Passar..................................o..................................................................................................._
Passar...............................................o.............................................................................
Passar.............................................................ô..............................................................v........................................................................................................................^
..............................................................................................ssar
.............................................................................................................O

Nice

folha em branco 
atire a primeira pedra 
de papel amassado
em quem nunca sempre jáinda
não escreveuver

Calar os pecados

Fizesse em mim um poema
e sem tira-la de suas roupas,
comprovasse a sua beleza...

assim, desvelaria você,
em "nossas" vidas,
o aparente desejo

nessa compostura?
tiraria eu de você,
as palavras?

Longe ainda, dura quanto?

o quanto for,
apodere-se
dos meus
sentidos
e não
sentidos

ainda, duram

olhares,
ouvidos,
lábios,
pegadas,

roube,
meu tempo
pra que
eu perca
não peço
nem preciso
apenas ganhar,
novamente

essas roupas pesadas

instale-se em
meu coração
como
sangue
em seu
curso

ainda, pulse


dai,
em diante,
espalhe-se em
meu corpo
como um,
e não outro,
vírus maltratado

ainda, misture

infeccione-me
os órgãos
caducos:

do desrespeito
do desamor
do desespero
do desengano
do desamparo

em lugar deles, doa-me

para que
desejando
alguma vida,
de forma
generalizada,

saiba disso
e que chova,

nossos vícios
nossos erros
nossos pecados
fiquem mesmo sem remissão
frente aos olhos alheios, desconsolados

mas, ainda
algo tateante
duvidoso
delirante
displicente

incida dessa nuvem cinza
atravesse o corpo pálido

amanhacendo
entardecendo
anoitecendo
madrugando

"em febre"
seja a premissa
para
notícias urgentes

fique, ainda

porém agora
perca tempo
para

o riso intenso
o choro com lugar
o abraço inacabável

ainda?
ainda dura, 
Longe é quanto?

a gente se
contaminar
com esse germe
tão indispensável
do cuidado

pra manter o estranhamento,
ainda, doentes

preservando alguma saúde
ao opor resistência 
a nossa performance

ainda, incuráveis

sem que jamais deixemos
de faze-la valer
o risco
de pulsar
corações

ainda, nus
mesmo, 
desencaminhados









RECusa

parece que alguém se ligou

Rec 
nesse nada de "week-end"

acidademepersegueof
isso tudo é um lixo on
cidadãos que de vez em sempre se dão
ao

não cheire
não ouça
não tropeça
não dar, de bobeira...
não dê o peixe
não ensine nada

sobrou um orfão
oh! cidadão

não eu esse
era outro
à porta de entrada

eu estava pelas ruas 
embromendo
comando

embromar é que eu saio daqui quando eu voltar
comendo a sedutora rua que do espetáculo só festejo o ensaio

sou o que sou
sou o gimba, sô
a recusa e o arrasto
sou traçado

a cidade me usa
a cidade e sua rua oblíqua
a cidade que me cruza
a cidade e seu prédio obtuso
a cidade abaixo da marquise se derruba
a cidade sanitária quer ser a proprietária

no entanto eu
uso a cidade
moleque disse
você é anagrama
sou uso - dedo lasco, deslocado, descolado, 

porém
acidadãsilenciou
sepassoubatidaof
esse cara é o lixo on

uma mosca pro
fere meu réquiem

rec-end
rap
are you, se ligou?


um Palhaço (para RAP)

o palhaço não sorriu
riu-se a platéia
sorriso nervoso
sorriso contido

onde nasce o palhaço?
no palco ou no pátio?
pelas veredas da cidade,
onde cruza-se com a platéia

e esta, afeita que é ao linchamento,
aplaudiu como sempre,

o cerco se deu na rua,
tropeçando sobre o ralo, já

.
do nariz se foi ao galo
cantando matutino a morte do palhaço
sobre paus e pedras
chute e farra

no jornal de feriado
pra quê, tanto estardalhaço?
sorriso libertário...

o palhaço roubou
o sorriso da criança
e a criança que cresceria urbana
jogando o nome do palhaço na lama,

não desejou ter cama, preferiu chão batido
enquanto a maquiagem
sangrada do palhaço
não fizesse jus ao seu apelido

palhaço arrelia
a criança relia o noticíário,
desletrada, só com a foto
estampada, a notícia abafava

o choro da criança
o riso da platéia
a latrina ensanguentadada
o galo altivo
enquanto cada galinha
cacarejava

com alguns AI's
o palhaço deu-se à última gargalhada.




onthepastense


acateiporcerto
ésérioéissonao~
%querosairileso
dosdesenganos
sejamelesdezou
apenasumplano
aindistinçãoentr

......................e

on.tem.se
onthepastense

a ficção e
a realidade
provoque
da perda
que soe
oscile o controle
pois
entre

o quero ou não quero
Queros 
totalmentejuntosenissoenc

araravidarasaarte
aartearasaavidatu
onthenpass
seja

eros
o tal




Lição literária

Meu professor de literatura
sempre me olhava
com aquele olho
cabresto, ele sabia a minha cura

Pra ser honesto, criticava tudo
que eu escrevesse ou fizesse
Ele me deixava de molho:
aprendendo.

-"Vejo sua fascinação
por devaneios,
mas não seja ingênuo,
ainda é cedo".

Nas provas, acho que o dava prazer,
das letras que entre todas restavam
pra me classificar, escolhia a "Z"

E eu que era atraído por ele,
minguava, ignoto, pensando:
"seu escroto"
Era como quem esbarra,
na mão de um outro, salva o copo,
mas já se entornara o leite todo

Com certa dose de boa intenção,
por respeito próprio ou medo
naquele dia, cheguei cedo
e colei um verso do Manuel,
no quadro, por puro enfeite

"Porque os corpos se entendem, 
mas as almas não".

O prof. desatento, pra mim rezava a lição:
-"nem tão cedo, você teria futuro em minha cadeira"
Nada de mais, aqui entre nós?
Deu a maior, Bandeira...

Depois disso, ficou meio azedo
Eu que até queria ser como ele,
sobressaltado, de fato,
abandonei o pesadelo.

Acordado pela manhã, o que é raro,
É o que resta a dizer:
minha alma, não presta.
Agora, sem beijo ou carona de carro.







azar!

no amor como no jogo
adoro mudar de disco
e ouvir tudo de novo

mudo

Acordei
de dia, abatido
olhei
tudo 
em volta
caminhava
................ para trás

no céu as nuvens
re-desvaziam-se
na terra as folhas
re-descaíam-se
no mar, pasmo!
ondas 
re-desdesaguavam-se

re-reparei, 
re-remeti-me ao mundo 


Acordei de
desse dia a dia, abatido

olhei ei
tu 
tudo 
em volta ta
caminhava vá
 .................... p´ra trazer 

no submundo
tateante e gaguejante
de mim,

acordei, desse dia adia dia adia

sentindo desdém
remei de costas, pra além 

e o dia ardia
do céu, da terra e do mar

Erro de Carioca (para Maria Helena Zamora)

quando  o estado carioca chegou
sentou o pau na aldeia,  
de tão oco o patrão
que cena!
fosse  uma oca
teria sido um evento 
de grande dimensão

Escutava a música de Maria
numa Copa do Maracanã
Quando enterrei meu coração

Tonto de tanta doçura, da pimenta na cara
Soltei, reinventei o reverso daquela canção

"Quando o estado chegou e o carioca gritou
enterrou o coração, e foi com certezas impunes
numa Copa do Maracanã"


Era um trecho batido, agora mensagem que o índio
duvidou ser tão vã. Que enterre a caligrafia na pele
Quem sabe você também enterre
as Curvas do Rio o procedem, DR:

Das ordens capitais, emergiam atos letais
Eram carros ornamentados por caveiras reais

que melhor representa o horror?

"Para quê museu,
se a aldeia não serve?"

do som dos pássaros, que não será mais seu
no sexto dia a vitória perdeu, o carioca que erre...

Enterrei meu coração
numa Copa do Maracanã

Índios, negros, mulatos, brancos, mulher e homem
velhos... crianças, tantos estudantes passeavam
Ainda que pacificamente se faça, ou se falha
O estado da justiça despontava disso outro nome,
sacudiram o índio mais que a uma maracangalha

antecipando-se aos jogos no imundicípio
Chegou primeiro, mas perdeu o índio
foi um erro olímpico!

Maracanã em estado ôco
Passou-se em branco, por pouco
seria uma Oca, ah! Maracanã, 
quem sentirá o toque de Tupã?


Enterrei meu coração
numa Copa em Aldeia Maracanã


Quem sabe você também dance
as Curvas do Rio merecem, dança

Mas agora qual um fim
Levarão carros pra estacionar, até shopping
Pra quê você a odeia?
e os restos de hoje, todos p´ra cadeia:

"Será de alegria, será de tristeza"?
Coração faz o rumor da veia.

Mas se ali eles não cabem, 
nem mesmo eu e nem você, 
o que passamos fluiu, pra romper
o embuste
o entrave

se pra que alguém mostre competência
encerro algo ali, suspeita nossa urgência 

se ainda ouço o canto dessas aves
também são meus antepassados
a aldeia, a esperança, pra que seja... tão grave

que sequer sou rio
Enterrei meu coração, 
como um recado, rasgado.
Filho de índio é audaz...


Enterrei meu coração
numa Copa em Aldeia Maracanã

Quanta mentira risonha, essa copa nos traz.



                                               (Araújo Roddriguez, pelo espírito de Oswald de Andrade)

















N/co.

Língua ingrata do incauto
Rastejar a sola dos
sapatos
sobre o fóssil dos
ratos
narinas do asfalto

Enquanto lagartas consomem
o alimento do homem
esquecidas passadas
cavando o vazio
Secas, folhas recolhidas
durarão mais que o ontem

mais nada

Para, sopra em voltas
a volúpia nunca estancada
Declive de pernas na esquina
das palavras
.................. soltas
Para ninguém

mas nada

detém
2,3,4 tragadas
a ponta que queima
trepida da mão trêmula
4,3,2, uma entre
outras cagadas do descontínuo

que convém?
fuga, há mais
nada: insista

você des
ponta do rebuliço
na pista
deixo numa rato-
eira, o beijo
só pra apreendê-la
com o à força da pegada

Ra-
steja
vaga-
bunda

da rua
que res-
vala
coices
do embromo

não dá mais
e tiras
tudo ou nada
como-a
chama
que reclama sem fugir, nua
sem fechar a brecha
recavada entre o fingir invocado, in-
vertido em duas pernas

a orgia do maço
lentidão do largar
andarilho
te banco (este brilho)(estribilho)
passadasmágoas...
lagartasmagras...
às borboletas: asas!

Você no meu encalço, aturdia.
Ao que prefiro, andarei descalço
e já que a vida não se demora
muito, mais
nada
o escasso, a posse, o si
agarro

logo, mais
magro há neste cigarro que queima
o alvará de soltura
dos teus quadris

rouca-
mente a garganta
nas coisas sem
seu estar a dois

uma solidão
entre
a recusa e
a aproxima ação

num depois,
do nariz
sigo amar-
gurado e vago, sem frescura
-"tu nem ainda se foi e... já trago?"
Um dia ainda dou-lhe
o tapa feliz,

que sem-
pre
escapo
por um triz






Si, agarro

-"passadas largas... lagartas magras... às borboletas: asas!"



Mina

Quando estou
dentro de você
Nunca sei, se estou 

E é bem difícil
a essa altura,
mas seria tão fácil

Seria forte, no entanto,
Seria tão calmo,
Seria... mas quanto?


Enquanto estiver
Jamais saberemos, 
haja o que houver 


dentro de você, sem demora
algo do que eu quero te quer, 
mas onde está a sua cabeça, agora?


Quando estou
dentro de você
Nunca sei, se estou 

Dentro de uma mina de carvão
Ou dentro de uma mina de ouro
Vago, mantelando a minha cabeça em vão

Dentro de uma mina não se sai
enquanto não se extrair o pão
Porém como migalhas, sua mente vai


Quando estou
dentro de você
Nunca sei, se estou 

Digo mina, me deixe sair vivo,
mas num dia ela desiste ou insiste
E o meu não, até será pra ela alívio


Seria bem difícil
a essa altura,
mas é tão fácil


Seria sorte, no entanto,
Seria tão sujo,
Seria... mas quando?

Por que seria aqui, com essa mina?

Quando estou dentro dela
Nunca, nunca interessa, se estou ainda 






Seria bem fácil
a essa altura,
mas por que é tão difícil?


Nem de ouro ou carvão falara o cio
Fosse minha e não a da mina, desde o início 
É o que era, a se jogar com a vida, desse precipício







O falso

Você escreveria,
com pedra carvão?
Você escreveria
a ponto de rabiscar
todas as paredes, as brancas
paredes de sua casa?

Rabiscando a ponto de atravessá-las?
A ponto de quando 
acabasse...
essa mesma pedra 
se encontrasse
tornada em diamante?

E, conseguindo, alugaria sua casa, 
o daria a alguém e partiria?
Para quê?


Para que esta
não possa ser mais
chamada de sua, 
casa.

Nem esse diamante 
em sua mão,
chamado sua,
pedra.

Para que algo tenha ficado pelo meio...
pelo meio do caminho,
e não seja casa, 
e não seja carvão nas paredes,
e não seja pedra pelo meio,
nem o meio da pedra,
mas brasa,
esse seu coração, 
transtornado.

E se com ele você acendesse,
o pavio,
e ele fosse correndo 
ser acesso até 
o encontro
de tudo,
até o encontro 

de nada,
e a brasa tivesse acendido bem próximo
da dinamite,

quem sabe?

alguém medisse 
à distância,
alguém desmedisse
a distância.


E se você 
explodisse?
onde e como estaria, 
coração?
Mas você, mentiu.

Você falsificou, tudo.
Você não escreve nas paredes,
Você não segura a pedra, aliás,
Você lança a pedra bem longe,
Você não quer sujar as mãos,
Você não sabe quanto vale, o carvão, 
Você só sabe de você, 
Você não sabe de você agora, nada. 

E ele se tornou, algo assim, duro;
E ele se tornou, secamente;
E ele se tornou, frio;
E ele se tornou, negro e pó;

Porém, você é o que importa agora...
você, olha, lá vem você de novo!
Dá licença,

Se importa?
não! - disse, às paredes.

E viram depois a fumaça,
apenas a fumaça,
nos dá algum sinal da direção.






Amor Perfeito (para Kavita Kavita)

Morre-se
na rua Amor Perfeito
esquina com a avenida
Dormideira.
Desabando da marquise
do descuido,
um reboco ciumento 
apaixonado pelo vento.
Tocado o coração
não quis unguento, 
bateu mais forte a vida inteira,
suspirou,
desequilibrado,
 e ao sinal fechado,
repetiu sumindo:
que dia lindo.





Tempestade

"Sorrio, desses que a mim se apressam em dizer que o sonho tem a consistência de nuvem. Para produzir-se sonho, antes, há de se chocar com a efemeridade do raio".

1/2 noite

disperso
ou desperto
por perto algo se deu

1/2 

noite 
uma fração de mim é não, outra, é sim
o ponteiro a ponto de eclipsar  a exatidão numérica do doze
ser dela tão de perto a ponto do fazer-se meia 
volta?

nem que seja
por esquecimento de nós
dois

nem que seja
por esquecimento de mim
hum...

leve descuido por
nada

00:00

noutros
dois pontos

diante das pálpebras em zelo
nenhum retorno 
sob o que resta

em verdade me aproximo

a noite é ninguém
essa fresta escura estendida 
acima do escuro e do claro dos olhos 


daqui com esse silêncio 
por sobre seus lábios

o falso me socorre


ela olhará
será sem demora 
sem demora, mora no agora

talvez fria para a mente de alguns... 
se toquem!
dessa fração
deixada 
com dúzias de dúvidas
soando assim tão de perto, dessa indesejada distância

dá meia-noite
e vejo que só desse modo a teria e tenho
repentinamente canso

mas a noite é sempre 1/2
do descanso






All the rest is silence(Para Silvia Cássivi)

Caço a
 manhã 
Caço a
manhã

man,
hã?

sobre os cacos 
de mim

meus passos assim
soam traços de vidro

mas são as 
pedrinhas de areia sob meus pés
ando assim
sobre pedrinhas

fico 

na areia 
molhada
na atenção
sua
atenção
sua...

o quê esses dias 
o quê esses
o quê

são
são ?
são

até que são 
mais nada

em si...
lento

Ligo meus sonhos no on
tem
algo em você que se liga
em mim
outra de mim que se liga
em você

no encalço
prefiro um rest
o
o sol
o ceú
o seu

Som 
da manhã
se restabelece
em nós

o que basta,
o que brasa
aqui dentro

Acalma coração ao vento
que me arrasta
até aqui

que aqui até me 
arrasa

ou será que rezo, em silêncio?

meço: em mim nosso tempo
por mais que eu tema

sou tão brasa
especialmente aqui
que o que sopras

me leva à só
a sós
plena

estou rasa
as ondas 
cobrem

meu lema
depois de ti:

all the rest is silence...







Pouso

Qual o quando de cada coisa?
E
Qual a coisa de cada quando?

Quando o olhar enxerga mais do que vê, chora.
Quando os lábios dizem mais do que distendem, sorriem.
Quando o nariz investiga mais do que cheira, fareja.
Quando o ouvido escuta mais do que ouve, delira.
Quando a pele sente mais do que a toca, presente, arrepia.

Ando desequilibrando os motivos...reparo. 
Cada qual quando ousa, para?  

E, quando em cada qual, outra e outro, repousa ou há devir?

[Ninho-Nihilo]


............[...]

Com

uma
pedra 

............[ou não?]

ou

um
pão 
............[não?]

se traz                            
           
............[?]
............[ou]
............[não]
............[o pássaro]

em mãos

............[   ]

Ninho-Nihilo

Com
uma
pedra
ou
com
um
pão
se traz                   em mãos.
           o pássaro



"A"s (para Rodrigo de Luca)

razão define a si e a outra razão,
como o próprio fio de um cabelo
encontra outro ao soprar dos ventos

e aquilo que ouve-se dizer como reto e justo,
tal qual a lenha absorve o verniz a recobri-la,
a ela adere-se superficialmente: fuligem e consentimento.

O entanto. Tal a mente inventa num cochilo em sono
sedutoras buscas, a razão é a mordaz cabeça
e para que envelheça, astuta, mantem-se fiel à nuca.

Atira misericordiosamente sobre si mesma,
o objeto certeiro, desferindo sob qualquer golpe
ou ofensa alheias, a prova do ridículo de alguma outra insistência.

A idade da razão é a da veleidade que se manteve
pois idealizada, mascarada, e encontrou sua melhor platéia.
Porém, caberia ao coração, cobiçá-la, apagar a potencia do encalço?

A irrazoável mão, audaz, que recobre  pegadas na poeira,
recobre o pescoço sufocando o endurecido tronco da certeza.
Desliza suave, adivinhando alguns deslizes, perfurando a madeira

e o pulso enuncia aos fios, que o coração destoa,
que a razão é um fio solto, entre outros, loucos ao vento
e só o coração pode cruzá-los em tal delicadeza

que, ainda que fosse a ela, à trança, amarrada em exemplar piada
uma contrária hipótese, sua maior e mais pesada evidência...
manteria-se ali, suportada, implacável,  ridiculamente falseada: suspensa.



had

a exata linha para um verso é a da serpente.

Absorto esperanto

 ............*
o primevo é curto,
não acompanha o seu
declínio
 ............*
o segundo é curto, 
não acompanha o meu
estando 
 ............*        
o minuto, é curto...
não acompanha o seu
ficando
 ............*
a hora é curta,
não acompanha o nosso
quando
 ............*
o dia é curto, 
não acompanha esse 
horizonte 
 ............*
a semana é curta,
não acompanha 
as ruas
 ............*
o mês é curto
não acompanha aquele
espanto
 ............*
o ano é curto
não acompanha
um lugar
 ............*
o momento, esse sim
talvez acompanhe 
até ultrapasse o tempo
em um simples instante 
 ............*
vida és curta, quando não mais 
te acompanho
me virás em encanto 
 ............*

Por todos os cantos| alegrejeitodeusárvores(para Porto Alegre)

umárvoréumárvoréumárvoréumárvore

O Lá do Be (para Edgar Alan Poe)

Neste fato um 
ao lado

o não há
sejam vozes, murmúrios, sussurros 
ou delírios audíveis 
que calam.

Alguns apenas ouvem. 
Outros nunca mais falam

disso, se busca
isso à porta
fugitivos sonhos ao cochilo 
do tédio que se avoluma

o mortal tempo - fita-nos, 
um moebius escriturário?
sopro de vento 
ao pé da nuca

neste outro
o lado
Be

um diz-se
sinto-me, nele há de mim 
à espreita, do inaudível, 
desses momentos 
silenciosos
surge

ruído, o jamais... sentenciado
gélido em meus ossos
o olho nubla
ao suor rubro 
quê posso?
turvo do já, nela

ai de mim! tal sorte!

nubla mais
pensamento fugidio,
dia bólido, risca 
da longeva lista do hábito
desse estorvo hiperbólico

maquinaria 
de orgão
do nunca, 
orfão 

sob a alcunha 
de corvo 
em transe


mais
a gota lúcida
do entorno
transborda esse horizonte 
que te ignora, 
um corpo

esconderijo do viver,
o improvável, supra
ver menos
poison