Meteoritos

Por querer parar
o tempo, no tempo, por um tempo
por força maior
caíra estatelada
ao chão

Sem querer o peso
das rugas
que dão forma
ao monstro

deitada a pessoa
outra
deitada pessoa
ao lado
de olhos no firmamento:
mostra

Sem por nem tirar
uma pueril estrela

nasce por dentro
o som
de um trovão

outra luz
no fim do alento
recosta à grama
ao solo

onde vêem-se
do ponto de fuga
dois olhos mudos
dois olhos mudos
do ponto de fuga

luzindo o ponto cego
com estalidos de dedos
monstros vencidos

dois sonhos retorcidos de estrelas
ao chão

Malcriado

Andar e no espaço
da caminhada,
daquela escolhida por seu tempo,
pairar sobre o nada

avistar o sofrimento
essa alegria mal comportada

Andar no espaço
ao caminho
que segue da vida ao
silêncio, essa passada

averiguar o sentimento
essa paisagem não decorada

Andar, espaço, andar
espaço, andar, espaço
perseguido pelo nada
que às costas se segue

abarcar em tempo
as memórias fugidias
uma, duas, três passadas

Andar por nada disso
para! mensagem do ontem
que ruma sem futuro...
o recado, mente

abandonar-se ao tempo
regente, sem trono,
sem muros, sem povo,
seu coroamento? o imensurável

Andar sem chegada,
passar a estalagem,
deixar a morada,
o passar do passar,
a passar e passar

o corpo a cansar
a pedir, a gritar,
a implorar, à saber:
vagar pelo tempo
necessário

depois de mais nada




Jazz

foi mal,
essa
composição

o mal

vergar o mal em bem
mas qual?

qual
o preço de
não 

ter
o não

não o "qual?",
o não

ontem 
ser 

não saber 
bem

era
a questão

vale apenas "ser"?
e não "?"

à pena 
a banal decomposição?

Mas houve corpo,
houve alma?

ou...
nada

ouve o vazio, espírito, 
houve uma "!"


e a notificação:
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