O assassinato de C.L.

C.L.

vocês sabem, jamais existiu
sua autobiografia foi o disfarce
de uma ranhura: do traço na folha
por um lápis sem ponta.

Amamos C.L.

vocês esqueceram,
auto ficção, foi assim que agora nomearam
Então usem essas iniciais afora: A.F.
Porém, lembrem tudo foi só um sopro de vida
(e a hora da estrela)

e a dor de C.L.

criou sua inexatidão da maneira mais precisa
e arrastou o nosso sofrimento como o leito
que acolhe as águas de uma nascente
pra morrer um pouco, sabiamente

Mas C.L. não, portanto, não Mais C.L.

C.L. não é mais, talvez menos
Então oremos, por sob as cadenciadas batidas
maquinadas e o recinto
esfumaçado com o seu mágico silêncio

*

então, algo passa e se traduz dessa nossa ineficiência


O silêncio de Sherazade

A caneta Sherazade

nesta outra noite,
trouxe seu sonho de linhas
um ser alado, seu vizinho distante:
um tapete mágico...
sopravam nele, por onde se ecoavam as palavras,
os ventos e seus descaminhos
E ao sentar nessa linda tapeçaria
alguns saberiam,
a quem jamais vislumbrara
o assombro
da vidência
e seu chamado.
É que ao cruzar o ar sobre seu plano
todas as palavras escritas
em ato, naquele instante,
podiam ser lidas, assim formadas:

pela fumaça branca

exalada de seu pano
Porém, tudo a seu preço e encanto:
a visão do tapete
e seu possível vôo
mantinham-se apenas plenas
ao ficarmos
calados.

(M)ei-o

No meio do meio há um meio do caminho
esse que perdeu-se de si e tornou-se vizinho
do sonho, do amor, do descaminho...


que eu perca tudo pra no fim achar esse meio

........................................................................................................!

cósmico, universal: o arrepio


no meio dos lábios
tudo o que sai e que a nós retorna:
o psiu, o beijo e
entre os dois, o caminho do meio,

o assobio