Olhos alheios

Era tamanha a alegria a ponto de se sentir até uma dor.
Ela pulsava a medida em que lágrimas caíam.
E por todo corpo ainda se seguiam, ainda em tempo,
Distendendo a dor em contentamento.
Assim, seguia-se o nítido na confusão intensa para desvencilha-lo, o coração,
Lançá-lo nu e conduzir a surpresa de um sorriso.

E eu para ti me tornara essa sensação do corpo, essa alcançada à brisa.
Já que se dizia em amor a quem se entregasse,
A quem passasse com tempo de parada.
Porém, se és como és, tempo... eu apenas intuía algo suspenso no ar.
Por momentos, me pergunto, o que sei eu do ser vento?

E se por instantes os momentos se cruzam, há nessas horas um milagre.

E são essas horas apenas, nelas onde se cruzam
Alegria e tristeza em silêncio.
Nessas horas em que meus olhos
Se encontram pousados sobre os seus
Olhos alheios.

Sê-lo

Dentro de cada palavra 
vive um silêncio.
De tal modo que, por vezes, 
quando se recai sobre os lábios 
certo tipo de... sê-lo,
surge a inquietude,
espraia-se o desassossego.

Então, é no corpo que as certas 

pausas, por instantes, viram
o mundo que há e o que virá
pelo avesso.
Então, o que se sente na alma 
em eminência, se faz acontecimento
nessa mudez se desdobrando.

Pondo à prova o vivo

por de dentro, transbordante.
Ali, onde já não há fora 
nem sequer o de dentro, assim
se assume o lampejo do momento.
Mas, qual será? Quem sabe?
Quem poderá perceber, ao certo?

Em quê o errado se tornará 

quando o sê-lo estiver, 
se vir, do avesso?Tão distante, agora, 
numa livre desfaçatez das palavras,
emudecidas. Peles antes pálidas, em rubor.
Páginas ou mentes, em branco: vencidas. 
Frases suspensas, pois falam as faces umedecidas. 

Jamais ali sentenciadas, pois se vive.

Ainda, as palavras beijando o silêncio 
em chamamento, nem mentem
nem destilam a verdade: destoam
do entorno. Em tempo, tocadas, 
ainda que paradas, fazendo-se 
um precipício fascinado por seu declive.  








No Stranger to love (portuguese version)

No Stranger to Love

Sinto a noite esfriar
Se a solidão até a manhã
Desse à luz, ao chorar,
Para o amor, um retorno...
Se ao menos você dissesse
Que não iria me esquecer...

Te entregar o meu corpo
De minha alma sua dor
Se esse anjo não for
Mais que um traidor?

Se for um erro esse não,
Não me afaste de você

Sigo por aí, só basta viver um amor
Ver é tão difícil, se eu vivi esse amor?
Sigo por aí, só basta viver um amor

Por que a distância em seu abraço?
Sei, que não é a mim que você abraça

Talvez seja o melhor
Mas, quem disse que eu entendo?
Sofrer descartado
pelas mãos que eu busquei
E ir tão longe assim
Não me afasta de você

Sigo por aí, só basta viver um amor
Ver é tão difícil, se eu vivi esse amor?
Sigo por aí, só basta viver um amor

Por que a distância em seu abraço?
Sei, que não é a mim que você abraça

(solo)

Sigo por aí, só basta viver um amor
Ver é tão difícil, se eu vivi esse amor?
Sigo por aí, só basta viver um amor

Por que a distância em seu abraço?

Sigo por aí, só basta viver um amor
Ver é tão difícil, se eu vivi esse amor?
Sigo por aí, só basta viver um amor

Por que a distância em seu abraço?
Sei, que não é a mim que você abraça

Sei, que não é a mim que você abraça
Sei, que não é a mim que você abraça
Sei, que não é a mim que você abraça

adicto de conclusão ilógica


.......................................................Dorespirando

há décadas
......................................................................................................dec
o tando:

.......................................nossas roupas ininteligíveis

Arranjosúteis,
.......................nessesbarros

dou-meem ti
......................................................................................................dec
ido: 

........................................................ex-pirar
..............................................o mais fútil absurdo
.......................................................ins-pirar

essacegasubterfugidiamanhã

dor
.........respirando
...................respir-ando
..............................respir+ando

ando:
...........................................................Amo
............................................................r=r
.......................................................emissivo

.......................................................emitir e mentir emitir e ment

indo:
...........................................o mais útil absurdo

......................................................................................................de cada razão: 
a dar razão: 
a dar azão: sim ou não?
a azarada noção é mais surda que a palma de nossas mãos

nosso lance é dado
ao acaso
ir
à prova, 
azar! ação!

apalpar o absurdo dos seus lábios
possíveis, 
com lábia absorver os seus dedos
definir é provável, mas tão pouco... 
saboroso... está sendo esse impossível

essacegasubterfugidiamanhã

absurdo é sofrer
.............................................precisava de um A  
............................................mas é que só tiro D   

Re (Turns)


(Hold) On da, peito onda (Old) of erenda, embarcada (Told) me diga, mais, ais (A fuel) fu gaz, gás que aperta, se expande (A road) Arredores, persistem no agora

Esse "será" ... insiste por onde?

(tudo que me transborda molha a página)


4

à minha frente
um silêncio, reina
pelo olhar de meus dias,
 num cinzeiro
apaga-se

esse brilho
quente, que sangra luz,
e se consome até
o negro cinza  de teus olhos,
ainda vagos

o copo
ainda manchado,
da secura, sem sede e
em suspenso, ele,
entre meus dedos

outro corpo
ainda marcado,
ainda ontem,
ali passaram
pelas brechas e linhas
das mãos fios
cabelos

mas, agora ainda
nada passa
ainda aqui no já futuro
o mesmo:
o já, passado

desce pela garganta
o presente incessante
com a fita do tempo
meu estômago
com ela embrulhado,

penso, penso, penso
peso, peso,
sento

o passo









Bosta de poesia?


Poesia?

É papel higiênico.

Tem pra todo gosto.

Há quem procure a maciez aveludada...

Que se arrebenta nas pregas, do outro jeito,

Aos mais bravios

Que toleram, cruelmente,

- e até com certo sadismo –

Os cortes rascantes no rego

Por um milimétrico papel de pão!

Quem vai preocupar-se

Com as sandices da mídia,

E o mau gosto desse jornalismo verdade,

Se já tivera às tripas, ao informe,

algo de maior urgência.

Limpa-se sem vergonha dos destinos

Proclamados aos ventos pelos jornais.

Até mesmo há, não esqueçamos,

Quem procure embalar a bunda

Com papel cheiroso,

Ao contrassenso do que o espera

Aflito ao roçar das mãos. 

Poesia, poesia se é poesia

Faz do cu a incômoda

Morada, para todas as gentes.

Poesia, se poesia é algo no mundo

Não é privada, mas multidão.

Se faz, cria-se por compulsão espontânea,

Se processa em papel higiênico,

Que embora haja quem vire o

O nariz, certas horas,

Profetizará o comum, sem demora,

Na hora mais escura e desesperada.

Enquanto os anúncios assépticos  

- dos best sellers –

Aguardam, Por nada,

Inertes no saguão.

 

Anônimo

Acorde



Fio de medo, parte.
Para a melodia
em outras danças,
elas vicejam frente
ao desassossego.

Fio por fio,
daqueles cabelos,
tão soltos.
À envolver-me a memória,
entregue ao desejo de detê-los.

Fio de medo
desconfio que partas...
tal como a corda de um violino,
confio esse fato
à noviça esperança.

Solto meu sonho
ao harpejo do real.
Como temer o final?
quando a dor de um tom e a cor
que esboças, diz: "tudo podes"?

Fio do mesmo,
diferença à seguir.
Da melancolia invejosa
que não quer partir,
deixar que eu toque a vida em frente.

Esmurrar na parede, passada...
demente do agora,
o sem demora...
em meu peito,
belos fios me sufoquem.

Mas como poderiam me abafar,
quando assim me envolvem,
se percebi para que o vento
foge sem almejar por lembranças?

Possa tudo parar nessa hora.
Possa tudo desafiar a urgência,
do medo que já não tenho,
Tudo possa restar, deslizando-o
frio, em nossos dedos: o acorde.







Flores


Medo das flores
Dessas que nos
Fazem, ao vê-las,
Ficar

Sem saber se,
Se ali a deixaremos ou se não a deixamos.

O quanto elas estariam nos enganando?

Pois se, em levá-las,
as trouxermos mais junto,
o seu perfume irá secando
e, assim, esse perfume vai
seguindo seco para perseguir-nos

os pelos;
poros;
pele;

Então, já se sabe o que a elas causamos,
para que não a deixamos:

para permanecer desta maneira
por elas impregnados.

caçoando com nosso olhar soberano, mas

Já a hora chega, na qual não a teremos,
e o medo pode toma-lo o lugar
e ficará se insinuando...

E logo onde?

Nesses toques,
nesses cheiros,
nesses calafrios.

E, ainda há,
Sim, como esquecer?

Há daquelas que não saem
de um livro feito de jardim.

Porém, falhará nossa memória!

Que ao esquecermos,
Quem foi que as trouxe,
Que motivo as pôs ali.
fará disso
o livro deixado
de  lado

- Deixado de regar
com olhos nossos as
suas páginas, noutra era flutuantes -

de sua presença e nossa ausência,
depois,
bem depois
e deste eco
Se seguirão  
O esbarrar por sobre a folha imprecisa,
À orelha do livro sussurrante...
E daí... lembraremos,

como o farfalhar de folhas
ao deslizar do polegar,
como o sopro que se dá
ao pé de nosso orelha

por segundos, ao gesto, se seguindo.

Tenho medo
dessas flores.

Medo das flores
que vão ficando.
E nos fazendo ficar por ficar.
E mais medo ainda, das que por não
ter levado
virei a encontrar fechado, desta vez
desabrochadas ao meu entorno...
quando no outono de mim,
posto o sono que semente alguma
deixaria,
daí nelas me desencontrar de mim -

ainda por elas envolvido,
mas a ser fechado, como os olhos, já sem ter sido
feito por mim delas o recolher.

Ah! com eu temo esse instante
em que elas me circundam.
Arredias.

E ainda assim encantam de alegrias
o que para alguns será espanto...
E a contragosto - novamente chego a conclusão -
as estarei levando.
Por ter medo,

indago-me em frente delas,
que medo é esse?
Elas lembram-me que também não ficarei,

por isso tenho medo,
tenho medo,

mas não o dou a ninguém:
prefiro aos outros
oferece-las, as flores.




Back to the old House - portuguese version - The Smiths





Não sei ao certo se vou
voltar par’aquela casa
Se eu não sei ao certo, se vou
Ao que me espera lá...
Velhas e intensas
Lembranças ruins
Tantas coisas ruins

La lá lá. por lá Lá lá ... láaaá

Ao que sonhava lá
O ranger da bike ouvir
Era o mais triste qu’eu já vi
O saber mais nu
Que, então, pra você não despi
Nem contar ao menos pude
como eu lamento

E Se lá voc’ estiver?
Ou se como o vento se perdeu?
Ou com o vento se foi?

Por La lá lá... lá

Eu amo quando me dou
Conta do antigo lar
Qu’eu já não vou ir, jamais deu pra ir
Não vou voltar
Não vou voltar

Someday (you'll be sorry) - Portuguese version




Talvez pr'alguém não importe

o jeito que você me tratou

A quem logo, um dia tanto a ensinou

Mas com eles pediu-me:

"vê se vira o disco logo e some!"

tente a sorte e se o azar for certo...

apesar de tudo vou pedir

Olhe, minh'irmã amada

Não os deixem despreza-la,

talvez isso importe a alguém.

*

Olhe, minh'irmã amada

Não os deixem despreza-la,

talvez isso importe a alguém.


:



Essa lua, que as nuvens contornam,
cujas luzes nos recobriram o feixe...
ao saber ainda mais de nós - 
e para quê?
Deixa-se, um pouco mais
por entre as nuvens, esconder...

Sábia e antiga lua,
cuja órbita renova
o coração dos seres.
Tímida iluminada,
fazendo-se de desentendida.

Para que eu pressinta,
a aurora entre todas as coisas,
para que tu intuas,
sob o telhado desta casa,
a persistência das estrelas...

e entre os sonhos mortais,
sejamos, também, por ela ludibriados.
Por tudo mais envolvidos ao eterno deleite.

E por fim

Atendamos
o pedido dos deuses:
beijem.



Curto o (in)dispensável

Dissolvência,
a minha assustada surpresa vem daí!
e a sonolência que se vá, pois pressenti
que é esse copo à frente
apenas outra garrafa a esvaziar

e sem que o amargo a procure
a dor
do coração, do já se seguiu,
ouve-se, nessa noite
o acorde sujo
que chora o duro, assim,
o medo enjoa, a morte não

do que não dura em si
a doçura é o que há,
que agora é posta
à fora, sem razão

se um preferir
outro a chorar,
enquanto um corpo
em urgência cobre-se
em algum lugar

se se dirige o sono ao outro
à cama,
o estorvo, opaco, caído às mãos
ficou desacreditado, fio posto
ao longe devagar,
o copo cobra - à prova de apagar -
a dor de um entreolhar



Moonlight para Orfeu

                 
Furta-me 
o que trouxe 
o degradê tatuado 
em meu peito

As forças desse vento que
Leva-me o sono.
Estiveram tão longe assim
os meus pensamentos?

Que agora trazido o frio
para tão próximo
tão bem reconheça-o, com a clareza
e a ironia de um "está ainda por aqui?"


por cima do peito
marquei-me com o tom das cinzas  
Rouba-me, as cores ainda teimam... 
ainda que restem só as nuvens sobre esse coração,


não é verdade que o céu permanente,
ao bem e ao mal, reinventa-se?
e o sol e a lua
desde de sempre,
reinam?

por sobre as miudezas acolhidas
no espectro entre os bolsos e os olhos humanos
Sopra-me o intervalo impossível
como a surpresa das palavras mal escolhidas

por trás de uma breve mentira
Deixa-me, para que entenda
como o ruido da cobiça
tomou conta dos espaços antes livres 

Ao duvidar em campo aberto
de cada pestanejar, ainda vivo,
demite de tuas pupilas,
a ilusão de ótica mantida
entre a chuva e as lágrimas

Rompido o selo de dez dedos por sobre essas mãos
Deixa a névoa tomar seu lugar,  "chegou tão cedo, não?"
esses passos que alucino, correm de mim ou ao meu encontro?
Porque se tornou tão difícil acolher a diferença numa manhã

Talvez porque a noite tomou todo o meu tempo
e o fio de sol, que eu suspeito riscar o vazio,
a lua a ele não empresta a visita de outra paisagem
Então, se não beijarei a lua, caçarei as estrelas

Desfazendo-me da tatuagem, já sem medo
como quem se desfaz da rima dos antigos
e breves sonetos, ao som da lira de orfeu,
perseguindo o inferno desse inverno.










Ateu (para A.C.Cesar)

Sabe...
por um instante

Saber...
fazer do restante
o sem segredo

a façanha
almeja,
se verdadeira,
chumbo em ouro

Era, contudo,
a prata da casa
que importara,
e de qual se dispôs

para o silêncio, [áureo
a palavra de prata
feria
mais rápido
que um sopro

suas mãos pesavam
como ferro,
trilhos à descarrilhar
o berro
o sono,
sem socorro
diante de qualquer [recuo

fórmula irreversível
para um corpo
em poucos instantes:
conversível

a prata veículo
para o chumbo
e a grande obra
a realização em sua circunferência [óssea

sairia por sua boca
e cortaria o teto
céu que escondia
a anã vermelha

ali o céu alcançado
o céu que ruíra
concreto e tão certo
para
Celso

Ontem

Ontem

tive On
das correntes
elétricas
de meu 
ser ébrio

passava você
sobre 
o meu 
peito nu


Amanhã
Ainda
Ama...

"ãh"?
esse acento que
não se acerta
não sossega e
não se assenta,
"Há?"

há noites... 
passam outras
para essa insistente 
e vazia manhã,
para jamais

essa vazia garrafa
que se chama
Só

Só este hoje
dividido
amando

Oh ! je
t'aime

Sopro de Leões (para Ingrid)

Haverá cílios
voando pelo amanhã
mesmo para quem
não o alcança

desmanchados
dentes
que fizeram o sorriso
largo do agora

pela paisagem
loucos
rugidos
esbaforidos

aos tropeços
dos que se deitam,
na branca areia aos ruidos
ou nela caíram, incertos
dos motivos para a sua aterrizagem...

encontrar
ao vento
solto
a alma
em brisa

fazer de capa
a camisa
e da correria
um ponto
de rodopio para que
saia?

guardar em
memória
espalhando-se
e perdendo-se

da chegada

das ondas
na praia

ondas
de sonho
ondas
de sono
ondas
de gargalhadas

do que se ria?
em meio aos leões?...
no descuido das pegadas?

o acontecimento, deságua-se

jamais deixa de ser
a nossa mais
tênue e desejada
ameaça

A queda


Assim ela o fez...

lançou-se 
para trás
em estranho rodopio
o giro louco dos dias

ao ar

Sendo nelas ele o agora
das mãos 
que viviam
longe 

daquelas outras mãos 

as que a arrancaram
por um propósito
qualquer
para mãos que já viriam

e foram ambas postas à prova

junto com som  
que irrompeu o céu
junto ao corpo,
outro corpo entregou-se,
para romper sonho
 desafiar a queda
da verdade







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