Ritornelo
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
"Quero roubar do silêncio do teu beijo um gemido qualquer".
Sombra tempo na noite (para Luiz Jorge e Beth à la Francis Ponge)
(...)
ando
aSSim
tem
Sombra
uando
tem
Sombra
uando t
em
Q
(uan)
tonto
(fim?)
tem
pO
tem que se ir
sS
per di
indo
O
assim
L
se
ir indo
-
chega
and
maturidade
cara
a que for mais cara
(des) mascarados
de bicho de ave
paisagem
a mais rara
beleza e feiúra
e até foto de fato
só não peça
Sem palavras
se eu posso comê-las tão zen?
se alguém poderia dizer do amor
que se diga sem palavras, recitando em corpo: Aleluia! Amém
Triturar nossa verboragia com verbofagia
e ademais, numa oitava vibrante, c o m a l e t r o f a g i a
conduzido a uma distância instante
que fale por nós (em offset) do que interessa dizer
mor sem "a"
parece nos levar ao inusitado: a algo maior por fazer
entrar e sair do menu do "ABC"
Buscar sem jamais rebuscar na voz
saber que mesmo que se "erre"
não há cartilhas p´ra se aprender...
embora o amo sem "r" instigue a um amar saber
e torne tudo tão autêntico e presente, cá entre nós
a or sem "m"
Mas e se tirassem outras dela?
a r sem "mo" é já tanto sem morada
que é sem lenço e nem documento
arejar a vida pelo desejo de libertá-la
ainda que, convenhamos, o "mo" sozinho,
seja o mais simples fluir do ar por si mesmo
reinante naquele íntimo chamamento,
de retornar para uma casa moderada, teu corpo, meu corpo, nosso intento
Será que essa trajetória precisaria acabar
em casamento?
Não basta arruinar as palavras ao "desletrá-las"
precisaríamos ser nas letras ainda, menos contenção,
mais transbordamento
seja sem teto ou entocado
ruidoso invento
Style
Elípti´cause
nos trouxeram tão longe
são os mesmos?
que se limitam,
por um ou dois
passos atrás...
que se revestem,
e por dentro
oscilando ...
entre
sair ficar
de um
se quis
se pediu
se insistiu
se descobriu
se permitiu
se corrigiu
se acelerou
e
perseguiu
parou
fugiu
cansou
descalçou
são eles os mesmos?
que nos afastaram,
do assombro e da dúvida
que nos disseram,
das raízes e dos descaminhos
e tropeçaram
caíram
e torceram
cuidaram
negaram
duvidaram
temeram
ser
pisados
e firmaram equilibrados
para que tomados de assalto
pudessem ser carregados
para ensaiar os saltos
e a justa medida de serem
firmes no que desejam
nos que desejam
v
e . m
r
g
ti tu
"be air"
to be or not to be, pairs?
EccE Ace
embora naquilo se mostre: perecce,
a morte mesmo ainda em vida
nos apreSenta aqueles rascunhos,
história só acontecce entre
se encontra, se defronta, se enfrenta, se destitui, se fez outra
pésseeds
pedindo precipício na incerteza da dança
só nisso, o "run" de um rumo tonto
entre as distâncias de dois pés, se alcança
Cócegas, declives, pedrinhas tudo mais na realidade
dos univer S.O.S apertados
e os pés se rebelam descalços
Meio que sem vontade, respirar... felicidade!
cria-se a firmeza de um passo, não por decreto
mas por acaso de cambalhota, no teto, se dirigindo ao chão
o mundo girando sem obrigação, vencendo os medos
girando e colidindo o certo com o incerto
fagulhas recebendo no deslize do dedos
uma benção que já tem coração
O assassinato de C.L.
O silêncio de Sherazade
(M)ei-o
esse que perdeu-se de si e tornou-se vizinho
do sonho, do amor, do descaminho...
que eu perca tudo pra no fim achar esse meio
cósmico, universal: o arrepio
no meio dos lábios
o psiu, o beijo e entre os dois, o caminho do meio,
o assobio
Assim natura
não há como
se omitir
Emito: cores, traços, recortes retorcidos, colagens
Transposição
Com lâminas, mesmo enferrujadas
Pois enquanto as texturas
Tropeçam em minhas mãos
Colho: algumas verdades precárias
Veleidades extraordinárias
E minto, novamente
E de novo, e de novo
Ainda que pisando em ovos
"n" aspectos em meio ao que sinto
Aproximam ou me afastam do Mito
paixão situacionista
Decifro paisagens insistentes
Nos Sonhos, no Real, no Imaginário
Ai de quem disser o contrário
A iluminação é uma tal assinatura
Travessa aos olhares, para os que se calam
Recolho feixes luminosos
Que se refrataram de alguns santuários
flower A h e a d
A pétala do cabelo
é o fio que segue em frente
As cores vivas de sorrisos floridos
são pólen de um corpo inteiro
E enquanto você dormia
plantava
abria
crescia
Em virtude daquela beleza
desabrochava
iluminava
uma certeza
O cabelo das plantas
são raízes por um tempo
E num instante o inalcaçável
faz tremer o mundo inteiro
flower A h e a d
é regada com pressentimento
Leve Esboço II
desejo na eternidade
A vida, desvencilhando-se
da memória
as cores ora se empalidecendo,
ora se intensificando
as falas, visagens e sons
carregando consigo aqueles
que nos fazem
recriar o tempo
...numa oração com insanidade...
Mi casa, tua asa
que desvencilía-se do C
melindrando o abcdário
Essa casa,
santuário e perdição dos calendários
Alguma basta, pequena ou grande
jamais falha
Oo vôo é um só modo:
de arrevoar a serpente do desejo
Por vezes uma benção, noutras,
uma fornalha.
ei pássaro não será isso?
ao invés da janela
ui, com qual se esbarraria
ai! prefere rei a tua boca
canta contigo contido um cantado
fode a monarquia
oi uma pane
voando com uma pena
seu sangue correndo
o tempo anuviando...nuvens descendo subindo crescendo decerto sumindo
ou pra que pernas se ame se pasmem as perdas
insensibilizando se sinta a gangrena
ei pássaro não será isso?
aparar o reparo da cena
Xi... sarar a dor com mais doença
deixar a dália como asa do palco
peça outra persecutória pocilga
afunde o teatro improvável da crença
ei pássaro não será isso?
Ou eis forço o foco fazido
Ea ea assobio de dedos com um bico que ame o que lia
teclados na mesa do sopro da míngua
xinga a chance de chamar a chaleira
queira a língua e mente p’ra Amélia
ei pássaro não será isso?
Ui o gostoso no travessão canhoto
Ai alheio ao alento do choque mais belo
estoura o olho com a vizinha quando se depara com a dança
Atravanca a trança pela tranca da porta
Rapumsel já derrubou o castelo
o pássaro quis conquistar um paraíso
Mas Creonte navegava numa empresa capital
ah! Isso! é desvio atalhado no inverno
santos do dumond suou ontem: vê se quis um tostão?
galgar as gavetas grávidas de gravetos e deixar as
goelas magras das moedas do inferno
(to be continued)
Poesia das dez coisas
Olhando p´ra tivejo tudo que não
das coisas que são
a poesia
pra ser poesia
o que nela haveria
diz tudo de si
olhando p´ra ti
daí para mim você riria
se algo disso de um tempo
de mais um tempo p´ra cá
não se falaria...
e no retorno de um sim
se abolisse o pecado
p´ra fazer da poesia algo de nós
e vir em nós
até uma coisa
que desdobrando-se dela
nasceria
dentre as nove
que se vejam morridas
morrer de sede
de fome, morrer
morrer de sono
morrer da tristeza daquela partida,
de tanta saudade
morrer da chegada das coisas em seu tempo preciso
morrer de morte
matada
de morte morrida
morrer da morte
inventada
morrer de vontade
de escrever
poesia
O oráculo, a felicidade e a interpretação
-Onde está a felicidade? Pergunta um tolo ao oráculo.
-A felicidade jamais será uma imagem coesa e imperiosa em seu destino.
-Então é isso, pelo que você diz, eu tinha razão: eu nunca serei feliz!
Porque isso acontece comigo? Porque eu sou tão infeliz?
- A vida para quem é triste e para quem é feliz se apresenta da mesma forma: em fragmentos.
-Grande descoberta oráculo! sei muito bem como está a minha vida. Estou arruinado! Não deixaram pedra sobre pedra, estou completamente acabado – são esses os seus fragmentos.
-Quando há a junção daquilo que sentimos, com o que fazemos os outros sentirem aí sim,
é desses fragmentos, por vezes tão próximos ou afastados, que falamos em felicidade e da infelicidade.
- Você é cego oráculo. Não vê. A felicidade não dura nada e a infelicidade se estende de modo interminável pela vida.
-Você está certo. Responde o oráculo.
-Eu sempre soube, se o destino de todos é sofrer para pequenos instantes de paz, porque não desistir completamente? De que vale perguntar se há ou não felicidade? tudo é a mesma coisa.
-Você está errado.Responde o oráculo.
-Será que você pode se decidir se eu estou certo ou estou errado?
-A resposta a sua pergunta é: “você não está aqui”.
-Como assim, não estou aqui? Você é um imbecil oráculo.
O sábio se próxima e encontra o tolo, desolado.
-Diz o sábio: você não encontrará aqui nada mais do que já não saiba.
-Encontrei sim.Sei agora que um oráculo é o caminho mais curto para a infelicidade.
-Talvez. Oráculo é um ser infeliz que encontrou a paz, diz o sábio.
-Como pode ter encontrado a paz, continuando a ser infeliz?
- Quando as pessoas esquecem que ele existiu e o que ele disse, sua paz se realiza.
-Deve ser por isso que ele ficava falando essa coisa de: “você não está aqui”.
Está querendo se aproveitar de mim. Todos se deliciam com o meu sofrimento, não vê?
Grita o tolo ao oráculo: deve estar muito feliz agora, que me deixou ainda mais confuso. Não é?!
Nesse momento, se aproxima do oráculo e o faz em pedaços.
O sábio o olha por um breve momento e se distancia.
-Oh não, o que eu fiz! Agora serei odiado por todos. Com certeza o sábio proclamará aos sete ventos sobre a minha atitude.Todos me tornarão ainda pior do que antes, pois não existirá mais o oráculo para confortá-los.Estou condenado.
...
Algum tempo depois alguém perdido se depara com um vulto recolhido, aparentemente de um outro ser infeliz que se encontrava também naquele recanto já esquecido, e este alguém o pergunta:
-Como cheguei até aqui?
Sem receber qualquer resposta, ao se aproximar percebeu que na verdade não era uma pessoa que estava ali, mas uma ilusão provocada pelo formato de alguns galhos retorcidos, e fragmentos de rocha.
-Como sairei daqui, agora?
Logo após murmurar, porém, encontra uma placa no solo, onde podia ser lido:
“Caminhe o mais longe possível de si mesmo”.
Então ele sorriu, por seu ânimo oscilar tanto como o rumo das coisas, e se sentiu feliz por um breve momento.
Tudo se resumia há um passo, e uma resposta que serviria a perguntas totalmente diferentes.
Grande sábio seria, se soubesse escolher melhor as minhas perguntas. Profetizou.
Repousou, se alimentou e, tão logo possível, prosseguiu por outros rumos.
Chocofilia
de chocolate
como dizê-lo:Haveria algo mais desejado?
Claro ou Escuro?
Sem ficar em cima do muro.
Doce ou amargo?
Sem se sentir culpado: “esse preço eu pago”.
Pequeno ou grande?
Esse desejo corrompido.Faminto ou moderado?
Quando o desejo é cumprido.
E se... se fizessem beijos
como se fazem chocolates
Exibido ou escondido?
O amor estaria perdido...entre mil e uma formas
de amar: um chocolate.
Quem se veria traído?
Como trazê-lo, ao dia-a-dia?
No fim se há rima ou nem tanto,
quem mesmo assim não gostaria?
De saboreá-lo, sem pranto.
Com ou sem jantar romântico,
Pois quem reclamaria, saboreando?
Roubar um beijo como quem roubasse
Um chocolate.
Bem-te-vi
Só não tem nome nem endereço
Deixa espaço nas alíneas
P'ra se completar como quiser
Saudade de quem fez Paixão
chega num rompante
Saudade de quem fez Amor
Não vai embora nem um instante
Saudade tem a cor das coisas marinhas
Tem gosto salgado de lágrima que só
quando se está bem quieto e só
é que se percebe pescando de saudade
É uma certa fisgada no peito
Ou é uma distração que não tem jeito
Saudade corre solta com braços estendidos ao vento
Ou um balãozinho que estoura bem no alto, em descontentamento
Será que a gente vai saber a idade da saudade com o tempo?
Ou depois de um tempo não vai dar p'ra contar?
É que de repente percebe-se que a saudade faz a gente sorrir
Mesmo se estiver chorando depois de algo partir
A saudade tem a idade das coisas que ficam
Morando sozinhas e risonhas, quase loucas de saudade
E tem o nome dos dias felizes e tristes, que não se explicam
Faceira das horas chega de visita por um triz, cheia de vontade
É que a saudade é, ainda que de cara nova, uma senhora de idade
Não tem medo de envelhecer, mas se deixa morrer p'ra nascer de novo
Desrazoado: quem tirasse dos braços um abraço ao invés do estorvo?
Ah! E quem é que já não se viu, assim, morrendo de saudade?
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